VIRAL - EPISÓDIO 3 (1)
Você já veio muito aqui, cara?
Meu amigo, eu sou fidelidade vermelha aqui.
Conheço a puta pelo nome de batismo.
Você deve conhecer a Jade.
-Da virilha ao sovaco, querido. -A Jade que é a Solange.
-Ah, Solange Pereira Reis e Lima. -É, já comi muito.
Então somos três. Eu, você e minha piroca.
Mas ela eu comi de camisinha, eu estou tranquilo.
Eu também.
Ué, então estamos fazendo o que aqui?
Porra, a gente combinou de falar com todas.
Sim, mas você comeu de camisinha, então é só pra constar mesmo?
Não, ela tem o direito de saber se ela tem ou não, enfim.
-Que eu tenha, sei lá. -Está bom.
-Foi aqui meu primeiro fio terra. -Oi?
Silmara.
Estava lá no meio do negócio, daqui a pouco...
"tou", dedo médio. Uh! Dei uma agitada.
Como é que é isso exatamente? Você foi enrabado
-aqui nesse puteiro? -Não é enrabado.
Houve a penetração da pequena falange
do dedo médio, pai de todos.
-Você gostou? -Nunca fez, não?
-Porra, claro que não. -Claro que não o quê?
Senão, vai virar viado? Se enfiar o dedo no seu...
Ui, enfiou o dedo no meu...
Sei lá, nunca tive vontade de enfiar nada dentro do meu cu.
Mas eu também não. Silmara que veio com a novidade.
-Eu não tinha nada disso. -Mas você deixou.
Não é questão de deixar. É que, talvez,
na posição que eu estivesse, reagir ia ter sido muito pior.
Como é que seria pior do que isso?
Se o seu mindinho, seu vizinho, pai de todos,
fura-bolo e mata-piolho resolverem fazer uma festinha no play.
Caralho...
Você tem mantido a tradição do fio terra?
De vez em quando. Você devia tentar, sabia?
-Não, cara, valeu. -Não,
vou pedir pra Silmara hoje te dar uma alegria.
-Te dar, fazer uma cosquinha. -Faz isso não, cara.
Você já comeu alguma outra mulher aqui?
Já comeu Lara? Puta, Lara é uma delícia.
Não, a Lara, não, cara. Eu sempre fiquei na Jade mesmo.
É, porque a Jade é esforçada. Ela te convence
-que ela está gozando. -Não, mas Jade goza mesmo.
-Não goza, não. -A Jade goza.
Pô, Rafa...
Ela é puta. A profissão dela é fazer você acreditar
-que ela está gozando. -Ué, estou te... Pergunta pra ela.
Antes ou depois de dizer que eu tenho Aids?
VIRAL
-Você já viu ela por aí, não? -Não.
Ela eu não vi, não, mas estou vendo ali Kelly.
Olha lá a Sol lá no fundo, Loreninha ali, Sheila.
-Quer beber alguma coisa? -Não, não.
Não vou misturar com Viagra, não.
-Tudo bem, minha linda? -Que Viagra, irmão?
-Você tomou um Viagra hoje? -Tomei hoje um Viagra mais cedo,
pra comer uma advogada que eu precisava furar bem,
-de alfaiate. -Advogada, brother.
Quis dar uma garantida, tomei logo um Viagra.
Caralho, de onde é que sai tanta mulher assim
-na sua vida, cara? -Já deu vontade
de dar uma rebatida nesse Viagra por aqui agora.
Olha lá que delícia! Ô, minha linda.
Ô, minha gostosinha. Tudo bem?
Vamos conversar daqui a pouco, hein?
-Gostei de você. -Cara, eu acho que ela
-não trabalha mais aqui, não. -Trabalha.
Trabalha, que eu vi ela ontem aqui.
Você veio ontem? Caralho! Alguma hora
-você tem que parar de foder. -Quando eu tiver 80, eu paro.
Vamos comer uma hoje? Que eu já me animei aqui.
Não, valeu, cara. Eu não estou muito no clima, não.
Não existe clima pra comer mulher.
Existe comer mulher quando der pra comer mulher.
-Bom dia. -Ei, olha o clima aí.
Achei que você estava se escondendo de mim.
Imagina. Nunca!
-Linda, como é que está? -Vamos subir em três hoje, é isso?
Ih, vamos em quatro, que eu chamo a Silmara também.
-Silmara! -Não. Não, calma, Rafael.
É o seguinte: eu só queria te falar um negócio, na verdade.
Que fofo!
Adoro esse pré-papo, que elas estão achando
que está tudo lindo.
-Olha, é um assunto bem sério. -O quê?
Eu fiz uns exames recentemente, de sangue.
Enfim, faz um tempinho já.
Besteira. Ver o nível do ácido úrico, enfim.
Eu acabei descobrindo que eu estou com Aids.
E o ácido úrico?
Oi? O quê?
-O ácido úrico estava alto? -Não.
-Estava normal. -Graças a Deus.
Oi, minha lindinha.
Acho que você não entendeu o que ele falou.
Ele está dizendo aqui que ele está com Aids.
Não, eu sei, é que meu pai tem ácido úrico alto.
Eu sei como é difícil.
-Ácido úrico alto é brabo. -É uma merda.
-É, esse aí é barra pesada. -É uma merda,
tem que comer melancia, não pode comer camarão.
-Agora, café é tranquilo. -Tá.
Eu não vim aqui te dizer...
Eu vim aqui dizer que eu estou com HIV positivo
e não que eu não posso comer camarão.
Ô, meu lindo, meu amor.
Vamos subir pra eu te fazer uns carinhos, vamos?
Desculpa. Você não tem medo de, de repente, você ter Aids?
Ah, não, querido. A gente faz teste aqui a cada seis meses,
eu só transo de camisinha. Imagina. Estou tranquilaça.
Gente, eu adorei ela. Vamos levar ela com a gente
pra ela avisar as outras meninas.
-Que ela é maravilhosa. -Só um instante.
Eu trouxe uns exames que você pode fazer na saliva...
Ah, não. Relaxa, que eu fiz o meu semana passada.
-Vamos subir? -Subir?
Então, vem cá.
-É isso, então, né? -É.
Você veio aqui só pra me dizer isso?
-Foi, foi. -Ai, meu Deus.
-Ele é muito fofo. -Ele é o máximo!
-Pega nela aqui. Aqui. Isso. -Ele é muito fofo!
Ah, você é muito fofo!
Olha só, pra você não perder a viagem,
-não quer avisar geral aqui? -Não precisa, na verdade.
Eu só transei com você mesmo.
Não, mas eu daqui transei com geral.
Meninas, vem cá.
E aí o Beto trouxe esses testes portáteis
pra gente fazer, né, Beto?
-É. -Ai, que graça!
Ai, que fofo!
-Aqui, olha. -Vamos fazer,
pra ele ficar bem tranquilinho.
Não falei que ele era lindo?
Eu não tenho nada, mas enfim. Estou aqui, estou junto.
Então assim, sou fofo meio que por tabela.
Tá. E como é que faz o teste?
Então, é só esfregar na parte interna da bochecha
pra saliva fazer efeito.
Não, é o outro lado.
É...
Agora você vê como são as coisas, né?
Lá tinha o quê? Umas dez mulheres, né?
Elas transam o quê? Umas seis vezes por dia,
cinco vezes por semana. Isso dá uma média o quê?
De uns cem caras por mês. Você transa o quê?
-Duas vezes por mês. -Acho que essa é a média.
Nenhuma tinha Aids!
Nenhuma tinha Aids. Caralho!
Brother, mas... Elas fazem isso profissionalmente.
-Eu faço por recreação. -O foda é que ainda tem isso!
Tem umas lá que trabalham, sei lá, há uns três anos lá, tá?
Ou seja, elas devem ter chupado já uns três mil paus.
Três mil paus e nada! Você comeu, sei lá,
meia dúzia de bocetas e pegou Aids. Caralho...
Meia dúzia é o caralho. Tem 30 pessoas só nessa listinha aí.
-Quantos anos você tem? -Tenho 27.
27 anos e comeu 30 mulheres!
Isso é uma vergonha pra raça humana masculina.
O importante, brother, não é quantas mulheres eu comi
e sim, quanto e como eu comi cada uma delas.
Não, não conta. Vamos botar uma nova meta pra você, tá?
Isso aí é uma tristeza.
Em dois anos, mais 30 mulheres.
Vamos fazer em dois o que você não fez em 27.
-Vamos fazer isso? -Isso dá o quê?
Isso dá uma média de...
a cada 20 dias, uma mulher.
Seria assim...
Representa a cada três finais de semana, uma trepada.
Está excelente. Uma média bastante boa.
Cara, a diferença é que você preza pela quantidade
-e eu prezo pela qualidade. -Caralho, isso é tão papo
de quem não come ninguém, meu Deus.
Sabe qual é a diferença? Eu sinto o momento.
Você sente o momen...
Ou, ou! Que isso? Caralho, o que foi?
-Estou grávida. -Babaca.
Espera aí. Bebe uma água aqui.
Obrigado.
Vem cá, você conseguiu falar com todas aí da lista já?
Falta a Julia, que não me atende.
Porra, deve estar chegando na Julia já.
Tá, mas o que eu posso fazer? Acho que ela ficou puta,
porque eu comi ela no banheiro, cara, na verdade.
E eu disse que eu ia pegar uma vodca e sumi.
-Caralho, "nice"! -Não, não.
Vem! Sim, sim!
-Não está com fome, não? -Estou.
-Vamos comer na Lílian. -Na casa dela?
Aqui, a próxima.
Seu troco, senhor.
Próximo.
-Oi. E aí, Lílian? -Beto?
-Tudo bem? -Quanto tempo!
-Pois é, né? -E aí, vai querer alguma coisa?
Não, na verdade, eu...
Eu só queria conversar com você mesmo.
-Você viu que eu te mandei no Face? -Verdade. Falou.
Você tem um intervalinho agora?
Putz, agora só de noite.
Entendi.
É que eu precisava falar com você meio que urgente, assim.
Você quer aproveitar que a loja está vazia
e falar rapidinho?
Agora, aqui mesmo?
É porque é um assunto meio pessoal.
Não. Então faz o seguinte: eu te procuro depois
e te dou uma ligada, tá?
É, vamos lá.
Então, eu...
Eu fiz uns exames, tá? E eu descobri que...
-Fui eu! -Oi?
Fui eu que te passei.
-Como assim? -Ai, me desculpa, eu não sabia.
Eu não sabia que eu tinha. Eu não sei nem quem me passou.
-Desculpa. -Caralho.
Olha, se você quiser, eu te dou o telefone do médico
-que eu fui. -Não, calma, eu...
Eu já estou no médico já. Eu já estou resolvendo já.
Eu estou superconstrangida com isso.
Deve fazer uns dois meses que eu não transo com ninguém.
-Sei bem como é que é isso. -Eu fiquei muito constrangida.
Não sabia se contava pras pessoas, fiquei superenvergonhada, desculpa.
Porra, foi ela que me passou Aids, cara.
-O quê? -Filha da puta!
-Calma, porra. Não fala... -Não, eu não tenho Aids.
-Como assim? -Eu tenho herpes.
-O quê? -Herpes.
-Você está com Aids? -E herpes, pelo jeito, né?
-Caralho, que merda, hein? -Quem é que está com herpes?
-Eu. -Eu.
Três. Quem tem Aids?
Acho que só eu, né?
Como é que você sabe que ela não tem Aids?
-Não, eu não sei, -Não, é que, por causa da herpes,
eu fiz todos os exames e, pra HIV, deu negativo.
-Pô, que bom! -Graças a Deus, né?
Bom, então, na verdade, está resolvido, né?
É isso. Resolvido.
Tá. Me vê um copão de pão de queijo, por favor.
-Eu queria um mate... -O mate é 500 ou 300ml?
De 500. Eu queria um folhado de frango também.
Você quer o quê?
Me vê um baby churros.
Bete!
-Mamãe está em casa? -Não, saiu.
-E aí, Tati, beleza? -Beleza.
-Quer bolo? -Não, não. Valeu.
-Já comi já, obrigado. -Tem certeza? Aqui.
Vamos lá pra dentro, então.
Não, valeu, vou assistir o jornal aqui rapidinho.
Ué, assiste lá de dentro. Qual o problema?
-Vou assistir aqui mesmo, cara. -Por que vai assistir...?
Porque você nem gosta de jornal, cara.
Vou assistir aqui o jornal com a tua irmã.
-Tá. Pode, ué. -Posso?
E aí?
E aí, tem alguma coisa acontecendo no mundo
que eu precise ficar sabendo?
-Ah, sei lá. -Está tudo bem mesmo?
Tudo. Está.
Eu gostei do cabelo.
Ah! Valeu.
Olha, você ficou sabendo...?
Fiquei.
-Está tudo bem? -Está, mas...
-eu acho que devia também fazer... -Não, eu já fiz.
-Está tudo OK. -Está bem.
Que bom... Desculpa, viu?
Eu não sabia na época que eu...
-Não, não, relaxa. -Beto!
-Que merda é essa? -Opa!
-Vamos lá? Vamos entrar? -Que merda é essa, Beto?
-Sai daqui, Rafael. -Quando é que você comeu ela?
-Cala a boca! -Calma, cara.
-Calma o caralho, porra! -Eu faço o que eu quiser!
Com você eu falo depois. Fica quietinha aí.
-Olha, foi uma vez só. -Eu quero que se foda
se foi uma ou dez vezes.
-Ela não está com Aids. -Ela podia estar com câncer.
Eu quero que ela morra. Eu quero saber...
Caralho! Por que você fez isso comigo?