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Porta Dos Fundos 2021, SUDESTINO

SUDESTINO

-Oi, tu que é o menino novo, né? -Isso. Sou Bruno Buffoni.

Comecei agora, semana passada.

Ah sim, Bruno. Muito prazer, meu nome é Júlia.

-Tu é daqui de Recife mesmo? -Não, sou de São Paulo. Capital.

São Paulo, São Paulo. Que massa!

São Paulo é sul ou sudeste? Sempre confundo.

-Sudeste! -Sudeste...

Ê trem "bão", meu!

Não, acho que não tem "trem", não, em São Paulo. É só "meu" mesmo.

Trem "bão" é Minas.

Mas tu tá aqui comendo teu pãozinho de queijo com chimarrão.

Também não. Chimarrão é Sul, e pão de queijo é Minas.

-De novo. -Ah... Entendi. Desculpa.

Mas vai se acostumando, porque aqui,

desceu ali do Espírito Santo é tudo um grande sudeste, entendesse?

Um monte de gente branca comedora de pinhão.

Agora, vem cá, por que tu viesse pra cá e deixasse aquele paraíso?

Veio tentar uma vida melhor aqui? Foi?

Tu cansou daquela vida de Oktoberfest todo dia?

Valet Park, como é? Patinete elétrico. Por quê?

Tô aqui porque minha esposa fez um concurso público,

passou pra Petrobras, e aí ela foi transferida pra cá

-e vim junto. -Rapaz, tô lembrando aqui que fiquei

com um sudestino uma vez. Pedro, o nome dele.

Será que tu não conhece?

Ele é ali da Barra da Tijuca.

Barra da Tijuca é Rio, né. Eu sou de São Paulo.

É diferente. Mas sei lá, posso conhecer também.

Eu conheço uns carioca aí. Como é o nome? Pedro o quê?

Olha, não me pergunta sobrenome, não.

Porque esses sobrenomes italianos de vocês,

de Bradini de não sei o quê. De Belotti do meu cu, pra mim...

é tudo a mesma coisa. É Pedro, porra.

Tu já deve ter esbarrado com ele em algum momento,

que ele fala desse mesmo jeitinho que tu.

-Fala "di". "Tchi". -Eu falo "di"?

Com certeza, tu conhece.

Então, não sei se já esbarrei porque, assim, de novo,

sou paulista, né.

Não sou carioca.

-Opa, tem gente nova na área aí! -Opa!

E aí? E aí, Marcos, tudo bem?

Esse é o Bruno, ele tá começando hoje aqui com a gente.

Tu acredita que ele é lá do Sudeste, que delícia.

Mulher, eu ia falar isso agora.

O bicho tem uma cara de sudestino da porra.

Aposto que você passou a juventude toda

correndo atrás de investidor-anjo pra sua startup. Não foi?

Não, não. Nunca nem tive startup.

Ei, peraí, mas nem uma paleteria mexicana?

-Não. -Um Yogoberry?

Não.

Aquele negócio, food truck de, sei lá, chope de vinho artesanal.

-Nunca teve um desse, não? -Nunca tive, não.

Mas investimento na Bolsa você faz, né?

Investir na Bolsa, botar dinheiro assim na Bolsa.

-O que tá acontecendo aqui, meu? -Meu!

Esse sotaque é muito fofo!

Adoro esse ar de superioridade, como se fosse o centro do mundo, né.

-Repete aí "meu" pra gente. Vai! -Fala assim pra mim, ó:

"isqueiro!" "Ishqueiro". Fala aí, fala aí!

Fala "chiclete"!

Assim, vocês estão falando

como se toda pessoa fosse igual do Sudeste, meu.

Sudeste tem vários lugares diferentes.

-Pelo amor de Deus. -Ô Bruno, calma aí!

Vamos parar, né, Marcos. Bruno pode tá cancelando a gente.

Deixa eu explicar que isso tudo é um elogio, tá.

A gente adora o sudestino. Eu adoro a cultura de vocês.

A música sudestina. A literatura sudestina.

E a comida sudestina!

Inclusive, abriu um restaurante sudestino aqui perto. De se foder!

Só tem delícia lá.

É pizza de picanha, tutu de salmão,

aquele negócio que vocês faz, com resto de ralo, como é o nome?

Cuscuz paulista. Tem um monte de sabores.

Então, meu.

Tutu de salmão, acho que é um negócio que nem existe.

Ué? Eu, particularmente, amo tudo!

Né, vocês, pra mim, só têm realmente um defeito,

que realmente é bem difícil.

O quê?

É que vocês não sabem votar, né.

Tem uma coisa com miliciano, que nunca vi gostar tanto.

Basicamente, é por causa do voto de vocês,

que o Brasil não vai pra frente.

E aí, meu?

Essa festa temática sudestina tá da hora!

E já, já tem um trio sudestino

tocando os maiores sucessos do Forfun!

O sudeste é meu país ou não é?

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