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Porta Dos Fundos 2021, PROBLEMATIZANDO A PRIVADA

PROBLEMATIZANDO A PRIVADA

Bom dia, pessoal. Eu sou Anarriê.

Eu sou influencer no ramo da problematização.

Então, eu queria perguntar pra vocês

até quando nós vamos tratar nosso cocô como bosta?

PROBLEMATIZARTE @ANARRIE_O

Será que é pedir demais

que se pare com essa violência de jogar no esgoto

o presente que nosso intestino nos deu?

Toda vez que eu vejo uma privada,

eu vejo um cemitério de amigos.

Deixar claro que eu não estou na minha casa,

estou na casa da minha mãe, onde eu me deparei com isso aqui.

Não, me dá vontade de chorar, porque se privada fosse bom,

se chamaria "pública".

E não seria fenotipicamente branca.

Não é?

O mal da civilização ocidental é a privatização do nosso cocô.

Certo?

Do qual a gente se despede muitas vezes sem olhar,

sem cheirar, sem abraçar, sem sentir.

E a gente perdeu o contato com nosso bolo fecal.

E não tem esse nome à toa.

"Bolo fecal".

Porque é um presente.

É motivo de festa.

O cocô é a única maneira que nosso intestino tem

de conversar com a gente.

Nosso intestino não tem como falar: "Meu, me ajuda,

estou mal, estou triste."

O cocô é a linguagem dele.

O barro é um recado dos nossos órgãos.

Ele é uma carta que você está jogando fora sem abrir.

Nossas mãos têm o formato de concha

para acolhê-lo.

Por isso que nossas mãos alcançam o reto.

É pra isso, e claro, também pra experimentar o auto fio-terra.

Eu já falei no canal

das mil maravilhas do prazer anal autoprovocado, assim.

Quem não ama o próprio cocô

nunca vai aprender a se amar por dentro.

Quem ama, colhe o cocô.

Acolhe.

Abraça.

Vamos romper esse estigma,

e pra isso a gente vai fazer uma campanha aqui no canal,

que é tirar fotos fazendo o gesto do acolhimento fecal.

Tá? Então vamos subir essas fotos, todo mundo,

junto com a #ÉBãoCagarNaMão.

Porque cocô não nasceu pra morrer na louça.

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