GLITTER
Então, Marcela.
O quê que houve? Algum problema?
Infelizmente, sim.
O quê que eu tenho?
-Você tá com glitter, Marcela. -O quê?
Você teve contato com alguém com glitter
desde a nossa última consulta?
-Eu tive. Foi carnaval, né? -Pois é, eu te avisei, né?
Carnaval é muito perigoso esse tipo de contato.
Tem que se cuidar.
O glitter, ele não faz descriminação de raça, de cor, idade.
Todo mundo tá sujeito a pegar glitter.
Mas você não pode tirar isso de mim?
Infelizmente é pra sempre, Marcela.
O que...? O quê que eu faço?
Bom, você pode tentar tomar banho,
esfregar bastante,
vai dar uma diminuída no glitter.
Você vai conseguir ter uma vida normal,
mas, vira e mexe, ele vai aparecer de novo.
-É pro resto da vida. -Não acredito nisso.
Bom, o conselho que eu posso te dar agora
é você entrar em contato com todas as pessoas
que você teve algum tipo de relação,
porque elas podem estar com glitter e nem sabem disso.
Tá, eu vou fazer isso,
mas você pode me receitar alguma coisa?
Eu vou te receitar um rolo de fita-crepe.
Ajuda, não resolve.
E, vira e mexe, o glitter volta num momento de estresse,
é uma briga com um filho, é uma reunião no trabalho...
-Caramba... -Não tem jeito. Tá bom?
Vai dar tudo certo.
Você vai lá na recepção, você pode marcar a sua volta aqui.
Tem que dar graças a Deus que não é um glitter holográfico,
podia ser algo pior, não é verdade?
Eu tô aqui pra te ajudar.
-Obrigada. -De nada. Vai ficar tudo bem.
Próximo!
Saiu o último glitter.