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Diogo Elzinga, Viajar de Ônibus é Estranho

Viajar de Ônibus é Estranho

Pegar um busão é legal, dá pra apreciar a vista, ajuda a natureza, desobstrui o trânsito

e toda aquela lenga lenga que a gente já sabe. Até aí tudo bem, mas que atire a primeira

pedra alguém que nunca teve alguma história pra contar que aconteceu dentro de um ônibus.

E pra todos esses que já passaram, ou ainda passam até hoje com algum tipo de coisa dentro

do busão, eu digo que viajar de ônibus é muito estranho.

A viagem de ônibus como todo mundo conhece começa muito antes do motorista ligar o negocião.

Ela começa exatamente no momento onde a moça do guichê te pergunta:

O senhor vai querer janela ou corredor? Nesse momento baixa o espírito de Nazaré e você

só consegue pensar... Então senhor, já decidiu? Tem mais gente

na fila. Eu posso sentar do lado do motorista?

Eram-se os tempos de crianças que a gente poderia sentar ali perto do motorista, no

lugar do cobrador, mas hoje em dia o que a maioria das pessoas querem é sentar na janela,

só que quem senta na janela sabe que você não pode ingerir nenhum tipo de líquido.

E que você deve fazer todas as suas necessidades antes de sair de casa para que assim você

fique tranquilo pelas próximas horas que virão. A não ser que a sua bexiga seja do

tamanho de um ovo de codorna. Senhor, o senhor poderia dar licença pra

eu ir no banheiro? Senhor é só botar a perna pro lado, senhor

tô apertado. Meu Deus do céu. Opa!

Merda, esqueci o tênis. Senhor...

Ficar só de meias no ônibus, tudo bem, mas agora passear pelo corredor já não dá.

Mesmo assim a gente deve levantar as mãos para o céu e agradecer a Deus por existir

um banheiro dentro dessa caixa de metal, caso contrário seria ainda pior.

Mas a batalha do ônibus é muito longa porque a primeira parte dela é você esperar aquela

criatura que entrou já faz dez minutos e não sai mais de dentro do banheiro e você

não entende o que aconteceu lá, e então finalmente chega a sua vez e você entende

perfeitamente porque todo mundo demora dentro do banheiro.

Ê, antes tarde do que amanhã de tarde, né? Sai, sai, sai.

Ô motorista, coisa ruim de se concentrar aqui nesse lugar. Quer saber de uma coisa,

eu vou sentar e esperar parar no semáforo. Vamos, ei vamos liberar esse banheiro que

eu quero cagar. Que saco cara, tá demorando isso ai. Quero mijar, velho. Gente, calma,

demora fazer isso dali, tá louco. Dá licença. Aí esqueci o celular. Final da final. Mas

é só o celular. Não, não, não, depois, depois...

Viajar de ônibus definitivamente é um misto de emoções e aventuras do início até a

chegada. Primeiro, porque só existe só uma temperatura: clima de montanha, mas ninguém

te fala que essa montanha, no caso, é o Everest, porque está sempre menos 70 graus dentro

do ônibus. Sabia que quando a gente morava a rua, a gente

dividia coberta? Era bem bom, a gente ficava bem quentinho, a gente pedia pro cara da esquina

chocolate quente e a gente se esquentava todo mundo junto. Era bem bom. Obrigada por dividir

comigo. Sempre tem aquele que quer pegar um vento

porque está enjoado, mas não pode porque as janelas são coladas, principalmente quando

senta perto do banheiro. É horrível. Isso é virose, cara. A gente na rua pegava

isso direto, direto... Mas diz que tomar "Coquinha" é bom, que daí,

nós sempre pedia pro vendedor lá da esquina e ele sempre me dava. Uma "Coquinha".

E quando a janela é difícil de abrir ou ela emperra, definitivamente você sofre a

maior humilhação de toda a sua vida. Aaai, que ventinho bom.

E ainda tem aquele sem noção que acha que está em um baú e quer socar tudo quanto

é coisa que ele pode lá. Uh, codiona. Quanta mala pra botar aqui, com

licença, que tem mais uma. Aqui ó, vou tirar essa bolsinha aqui pro lado.

E tem ainda aquela criança chata, dos infernos, que não para de chutar a p*#%a do teu assento.

Mãe, o tio da frente está fedendo. Cala a boca, ô inferno. Enfia uma rolha na

boca dessa gamela, dessa criança dos infernos. Capeta do demônio.

Tem também aquele cara que não tem um GPS interno e quer saber todo o momento em que

lugar ele está e não para de encher o saco do motorista.

Falta muito ainda? Aonde que a gente está agora? Que cidade que é essa, motorista?

Tu sabe dizer que hora que a gente chega? Não quero perder o próximo ônibus. Me passa

teu Whatsapp? E também não podemos esquecer dos escalados

de plantão que só esperam o ônibus encher para procurar uma poltrona vazia e dizer pra

todo mundo que ela é sua. Até porque quando você compra a passagem, escolher a poltrona

certa é uma loteria porque você nunca sabe quem vai sentar do seu lado.

E aí, meu. O ruim desse salgadinho é que suja o dedo da gente, né cara?! Mas é bom

mesmo assim. Não tá a fim de um salgadinho, cara?

Não, obrigado. Cara, duas horas para a gente chegar ainda,

velho. A gente tem muito o que conversar ainda. Tu é de onde, cara? Da onde é que tu é?

Cara, tu sabia que eu sou adotado? Uhum.

É, meus pais são lá de Xanxerê. Tem certeza que não quer um salgadinho? Cara, tu tem

horas, aí? É hora de tu calar essa tua boca e me deixar

dormir, por favor. Calma cara. Salgadinho?

Enfia esse salgadinho no teu c#, e dos teus pais adotivos.

Tu não tem pena de um adotado? Foda-se que a tua família te deixou, te abandonou

na rua. Você merece só por ficar comendo salgadinho na frente dos outros e enchendo

o saco, por isso te abandonaram. No mínimo comida um monte de salgadinho, gordo desse

jeito que tu é, pançudo. E o mais louco de tudo é quando você pega

um ônibus e está muito desesperado para chegar no seu destino e tarde demais acaba

descobrindo que ele é um pinga-pinga. Você só queria visitar a sua mãe que mora na

cidade do lado e acaba descobrindo que esse troço chamado ônibus tem mais escala do

que régua da Xalingo. Próxima parada: Casa do capeta, quem desce?

Eu vou, eu vou. Me deixa aqui, esse ônibus para em muito lugar. Eu vou a pé.

Mas convenhamos, viajar de ônibus é demais. Principalmente, se for de dia e aí você

pode sentar na janela e desbravar aquela vista linda e se for à noite, é ótimo para dormir.

No caso, se você conseguir, porque dormir em um ônibus requer uma pós graduação,

porque nem todo mundo consegue fazer isso. Ainda mais com o ônibus em movimento.

Ai, que merda de dormir nesse lugar. Mas isso acontece até que, eventualmente,

você já pegou tanto ônibus na sua vida, que já não importa mais a forma como você

vai deitar lá dentro, porque você dorme simplesmente de qualquer jeito. Você superou,

você pós graduou. É um pós doutorado em dormir dentro de um ônibus.

Ô motora, apaga a luz. E é isso aí gatedo, se vocês gostaram dá

um joinha, se não gostaram azar o de vocês. Deve ter algum outro vídeo que eu fiz que

vocês gostaram. Escreva aqui embaixo outras coisas que acontecem dentro de ônibus porque

é muito bizarro. Certamente muitos de vocês já viveram isso, tá bom?!

Meu nome é Diogo Elzinga, me sigam nas redes sociais. Um beijo nessa teta de vocês, com

muito respeito e até a próxima.

Viajar de Ônibus é Estranho Traveling by Bus is Strange Voyager en bus, c'est étrange Viaggiare in autobus è strano バスで移動するのはおかしい 乘坐公共汽车旅行很奇怪

Pegar um busão é legal, dá pra apreciar a vista, ajuda a natureza, desobstrui o trânsito Taking a bus is cool, you can enjoy the view, help nature, unblock traffic

e toda aquela lenga lenga que a gente já sabe. Até aí tudo bem, mas que atire a primeira

pedra alguém que nunca teve alguma história pra contar que aconteceu dentro de um ônibus.

E pra todos esses que já passaram, ou ainda passam até hoje com algum tipo de coisa dentro

do busão, eu digo que viajar de ônibus é muito estranho.

A viagem de ônibus como todo mundo conhece começa muito antes do motorista ligar o negocião.

Ela começa exatamente no momento onde a moça do guichê te pergunta:

O senhor vai querer janela ou corredor? Nesse momento baixa o espírito de Nazaré e você

só consegue pensar... Então senhor, já decidiu? Tem mais gente

na fila. Eu posso sentar do lado do motorista?

Eram-se os tempos de crianças que a gente poderia sentar ali perto do motorista, no

lugar do cobrador, mas hoje em dia o que a maioria das pessoas querem é sentar na janela,

só que quem senta na janela sabe que você não pode ingerir nenhum tipo de líquido.

E que você deve fazer todas as suas necessidades antes de sair de casa para que assim você

fique tranquilo pelas próximas horas que virão. A não ser que a sua bexiga seja do

tamanho de um ovo de codorna. Senhor, o senhor poderia dar licença pra

eu ir no banheiro? Senhor é só botar a perna pro lado, senhor

tô apertado. Meu Deus do céu. Opa!

Merda, esqueci o tênis. Senhor...

Ficar só de meias no ônibus, tudo bem, mas agora passear pelo corredor já não dá.

Mesmo assim a gente deve levantar as mãos para o céu e agradecer a Deus por existir

um banheiro dentro dessa caixa de metal, caso contrário seria ainda pior.

Mas a batalha do ônibus é muito longa porque a primeira parte dela é você esperar aquela

criatura que entrou já faz dez minutos e não sai mais de dentro do banheiro e você

não entende o que aconteceu lá, e então finalmente chega a sua vez e você entende

perfeitamente porque todo mundo demora dentro do banheiro.

Ê, antes tarde do que amanhã de tarde, né? Sai, sai, sai.

Ô motorista, coisa ruim de se concentrar aqui nesse lugar. Quer saber de uma coisa,

eu vou sentar e esperar parar no semáforo. Vamos, ei vamos liberar esse banheiro que

eu quero cagar. Que saco cara, tá demorando isso ai. Quero mijar, velho. Gente, calma,

demora fazer isso dali, tá louco. Dá licença. Aí esqueci o celular. Final da final. Mas

é só o celular. Não, não, não, depois, depois...

Viajar de ônibus definitivamente é um misto de emoções e aventuras do início até a

chegada. Primeiro, porque só existe só uma temperatura: clima de montanha, mas ninguém

te fala que essa montanha, no caso, é o Everest, porque está sempre menos 70 graus dentro

do ônibus. Sabia que quando a gente morava a rua, a gente

dividia coberta? Era bem bom, a gente ficava bem quentinho, a gente pedia pro cara da esquina

chocolate quente e a gente se esquentava todo mundo junto. Era bem bom. Obrigada por dividir

comigo. Sempre tem aquele que quer pegar um vento

porque está enjoado, mas não pode porque as janelas são coladas, principalmente quando

senta perto do banheiro. É horrível. Isso é virose, cara. A gente na rua pegava

isso direto, direto... Mas diz que tomar "Coquinha" é bom, que daí,

nós sempre pedia pro vendedor lá da esquina e ele sempre me dava. Uma "Coquinha".

E quando a janela é difícil de abrir ou ela emperra, definitivamente você sofre a

maior humilhação de toda a sua vida. Aaai, que ventinho bom.

E ainda tem aquele sem noção que acha que está em um baú e quer socar tudo quanto

é coisa que ele pode lá. Uh, codiona. Quanta mala pra botar aqui, com

licença, que tem mais uma. Aqui ó, vou tirar essa bolsinha aqui pro lado.

E tem ainda aquela criança chata, dos infernos, que não para de chutar a p*#%a do teu assento.

Mãe, o tio da frente está fedendo. Cala a boca, ô inferno. Enfia uma rolha na

boca dessa gamela, dessa criança dos infernos. Capeta do demônio.

Tem também aquele cara que não tem um GPS interno e quer saber todo o momento em que

lugar ele está e não para de encher o saco do motorista.

Falta muito ainda? Aonde que a gente está agora? Que cidade que é essa, motorista?

Tu sabe dizer que hora que a gente chega? Não quero perder o próximo ônibus. Me passa

teu Whatsapp? E também não podemos esquecer dos escalados

de plantão que só esperam o ônibus encher para procurar uma poltrona vazia e dizer pra

todo mundo que ela é sua. Até porque quando você compra a passagem, escolher a poltrona

certa é uma loteria porque você nunca sabe quem vai sentar do seu lado.

E aí, meu. O ruim desse salgadinho é que suja o dedo da gente, né cara?! Mas é bom

mesmo assim. Não tá a fim de um salgadinho, cara?

Não, obrigado. Cara, duas horas para a gente chegar ainda,

velho. A gente tem muito o que conversar ainda. Tu é de onde, cara? Da onde é que tu é?

Cara, tu sabia que eu sou adotado? Uhum.

É, meus pais são lá de Xanxerê. Tem certeza que não quer um salgadinho? Cara, tu tem

horas, aí? É hora de tu calar essa tua boca e me deixar

dormir, por favor. Calma cara. Salgadinho?

Enfia esse salgadinho no teu c#, e dos teus pais adotivos.

Tu não tem pena de um adotado? Foda-se que a tua família te deixou, te abandonou

na rua. Você merece só por ficar comendo salgadinho na frente dos outros e enchendo

o saco, por isso te abandonaram. No mínimo comida um monte de salgadinho, gordo desse

jeito que tu é, pançudo. E o mais louco de tudo é quando você pega

um ônibus e está muito desesperado para chegar no seu destino e tarde demais acaba

descobrindo que ele é um pinga-pinga. Você só queria visitar a sua mãe que mora na

cidade do lado e acaba descobrindo que esse troço chamado ônibus tem mais escala do

que régua da Xalingo. Próxima parada: Casa do capeta, quem desce?

Eu vou, eu vou. Me deixa aqui, esse ônibus para em muito lugar. Eu vou a pé.

Mas convenhamos, viajar de ônibus é demais. Principalmente, se for de dia e aí você

pode sentar na janela e desbravar aquela vista linda e se for à noite, é ótimo para dormir.

No caso, se você conseguir, porque dormir em um ônibus requer uma pós graduação,

porque nem todo mundo consegue fazer isso. Ainda mais com o ônibus em movimento.

Ai, que merda de dormir nesse lugar. Mas isso acontece até que, eventualmente,

você já pegou tanto ônibus na sua vida, que já não importa mais a forma como você

vai deitar lá dentro, porque você dorme simplesmente de qualquer jeito. Você superou,

você pós graduou. É um pós doutorado em dormir dentro de um ônibus.

Ô motora, apaga a luz. E é isso aí gatedo, se vocês gostaram dá Engine, turn off the light. That's it, gatedo, if you liked it,

um joinha, se não gostaram azar o de vocês. Deve ter algum outro vídeo que eu fiz que

vocês gostaram. Escreva aqui embaixo outras coisas que acontecem dentro de ônibus porque

é muito bizarro. Certamente muitos de vocês já viveram isso, tá bom?!

Meu nome é Diogo Elzinga, me sigam nas redes sociais. Um beijo nessa teta de vocês, com

muito respeito e até a próxima.