Parte X: O Julgamento de Roma
Parte X: O Julgamento de Roma
Maximus está de pé no centro do Coliseu, imóvel, enquanto o rugido da multidão cresce à sua volta — mas dentro dele, tudo está calmo, quase em silêncio.
Hoje, tudo tem de acabar.
As portas abrem-se, e Cómodo entra, rodeado de guardas, com uma armadura brilhante que chama a atenção, como se quisesse parecer um herói.
Maximus observa-o, sem se mover.— É só uma máscara…
Cómodo levanta as mãos para calar a multidão, depois vira-se para ele.— O povo ama-te, Espanhol… mas ama-te o suficiente para morrer por ti?
Maximus não responde, mas aperta a espada, concentrado.
Nas bancadas, Lucilla observa, tensa, com Lucius ao seu lado, que olha sem compreender tudo, mas sente que este momento é importante.
— Mantém-te forte… — murmura ela.
Cómodo aproxima-se lentamente, e Maximus percebe imediatamente algo.
— A lâmina…
Percebe que está envenenada, como Quintus o tinha avisado.
Maximus baixa ligeiramente a cabeça.— Pelo meu filho… pela Célia…
As trombetas soam, e o duelo começa.
As espadas chocam, os passos ecoam na areia, e a multidão acompanha cada movimento.
Cómodo ataca rápido, mas sem controlo, enquanto Maximus permanece preciso, mesmo enfraquecido.
— Não podes ganhar… — diz Cómodo, enquanto ataca novamente.
Maximus não responde. Bloqueia, recua, depois avança no momento certo.
A multidão começa a perceber.
— Maximus! Maximus!
Cómodo irrita-se, os movimentos tornam-se desordenados.
— Calem-se!
Mas as vozes continuam.
Num último gesto desesperado, Cómodo puxa um punhal escondido e tenta atacar.
Mas Maximus está preparado.
Agarra-lhe o braço, bloqueia-o… e crava o punhal no peito dele.
Cómodo fica imóvel, surpreendido, como se não compreendesse.
Depois cai.
Silêncio… e então a multidão explode.
Maximus permanece de pé por um instante, a respirar com dificuldade, depois vira a cabeça para Lucilla.
Acena ligeiramente.
Depois as pernas cedem, e cai de joelhos.
Lucilla desce a correr.— Maximus… fica connosco… Roma precisa de ti!
Maximus olha para ela, com o fôlego fraco.— Cuida de Roma… torna-a justa… pelo meu filho… pelo teu…
Lucilla aperta-lhe a mão.— Prometo.
Maximus fecha os olhos, lentamente.
A multidão cala-se, como se tudo parasse ao mesmo tempo.
O combate terminou.
Mais tarde, os senadores, guiados por Lucilla, começam a retomar o controlo, enquanto a cidade muda lentamente, marcada pelo que acabou de acontecer.
O sol desce sobre Roma.
Juba ajoelha-se junto de Maximus, com o olhar calmo, mas carregado.
— Estás livre agora, meu irmão…
Baixa a cabeça.
— Vamos voltar a encontrar-nos… mas ainda não.
O vento passa suavemente pelo Coliseu vazio.
E, pela primeira vez em muito tempo, Roma respira de outra forma.