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Depois da intervenção na joalharia, a Aurora Archer e o Sam decidiram que era hora de treinar a sério e ficar ainda mais preparados para o que viesse a seguir.
— Temos de melhorar — disse a Aurora. — Da próxima vez pode ser mais perigoso.
— Concordo — respondeu o Sam. — Amanhã cedo no parque?
— Combinado. Bem cedo.
No dia seguinte, o sol estava a nascer e a luz deixava o parque com um tom dourado. A Aurora e o Sam chegaram com as mochilas e o equipamento.
— Dormiste bem? — perguntou o Sam, a bocejar.
— Mais ou menos. Eu estava a pensar em tudo o que aconteceu — disse a Aurora. — Mas pronto. Vamos treinar.
— Bora. Hoje é dia de ficar mais forte.
Eles colocaram alvos a várias distâncias e começaram com alongamentos.
— Ombros, braços, pescoço — disse a Aurora. — Se não aquecemos, dói.
— Sim, chefe — brincou o Sam. — Estou a aquecer, prometo.
— Ok. Começamos com o básico: tiro parado, alvo perto — disse a Aurora, pegando no arco.
Ela apontou e acertou com facilidade.
— Agora tu — disse ela.
O Sam tentou copiar a postura dela.
— Assim?
— Mais firme nos pés. E relaxa a mão — respondeu a Aurora. — Isso. Agora respira… e solta.
O Sam atirou. A flecha acertou, mas um pouco ao lado.
— Nada mal — disse a Aurora. — Está melhor do que ontem.
— Obrigado. Eu aceito elogios.
Treinaram durante horas. Primeiro precisão, depois velocidade. A Aurora fazia séries rápidas: três flechas seguidas, sem perder a calma.
— Tenta não correr com a cabeça — explicou ela. — Rápido não é “à pressa”. É “controlado”.
— Ok… controlado — repetiu o Sam. — Controlado e sem pânico.
De vez em quando, eles paravam para corrigir detalhes.
— O teu cotovelo está muito baixo — dizia a Aurora.
— E tu estás a prender a respiração — dizia o Sam. — Olha, ficas tensa aqui.
— Tens razão — admitia ela. — Boa observação.
Quando um acertava no centro, o outro celebrava.
— BOA! — gritava o Sam.
— Força! Outra! — respondia a Aurora.
Ao meio-dia, sentaram-se na relva para comer.
— Eu trouxe sandes — disse o Sam.
— Eu trouxe fruta — disse a Aurora.
— Equipa perfeita — concluiu ele.
Depois do almoço, a Aurora ficou com um sorriso diferente.
— Ok… agora uma coisa mais difícil.
— Mais difícil? — o Sam engoliu em seco. — Eu ainda estou vivo por um fio.
— Relaxa. Vai ser divertido. Vamos fazer um percurso com obstáculos e alvos em movimento.
Os olhos do Sam abriram-se.
— Isso é tipo treino de heróis!
— Exato — disse a Aurora. — Se queremos ajudar pessoas, temos de acertar mesmo quando estamos a mexer.
Montaram um percurso com barreiras, saltos pequenos e alvos pendurados que mexiam com o vento.
— Regra: segurança primeiro — disse a Aurora. — Se não tens um tiro limpo, não atiras.
— Ok. Sem tiros malucos.
A Aurora foi primeiro. Correu, desviou-se de um obstáculo, parou um segundo, apontou e acertou.
— Nice! — gritou o Sam.
— Agora tu!
O Sam correu, tropeçou um pouco, recuperou, e atirou. A flecha acertou no alvo, mais perto do centro do que ele esperava.
— EU ACERTEI! — gritou ele.
— Acertei eu contigo! — respondeu a Aurora, e os dois riram.
Fizeram mais voltas. Houve alguns falhanços e quase-escorregões, mas no final estavam melhores: mais rápidos, mais calmos, e mais confiantes.
Quando terminaram, deram um “high-five”.
— Estamos a evoluir — disse o Sam, ofegante.
— Estamos, sim — respondeu a Aurora Archer. — Mas isto é só o começo.
O sol começou a pôr-se e o parque ficou quieto. Eles guardaram o equipamento e foram para casa, cansados, mas felizes.
— Amanhã outra vez? — perguntou o Sam.
— Amanhã outra vez — disse a Aurora. — Com trabalho, foco e amizade… a gente consegue.