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Porta dos Fundos, REFÉM - EPISÓDIO 4 DE 5 (1)

REFÉM - EPISÓDIO 4 DE 5 (1)

Continua uma incógnita a história do sequestro do ônibus.

Pouco se sabe o que se passa lá dentro.

Autoridades ainda buscam contato com os sequestradores.

Vamos falar direto com o nosso repórter Marcos,

que se encontra lá.

-Marcos, alguma novidade? -Sei lá, ué.

Pega qualquer idiota pra falar qualquer merda aqui, querido.

Porra!

Marcos, estamos ao vivo para todo o Brasil.

Aquele ali, ó.

É, esse aí, com cara de desempregado.

Bota ele aqui, porra!

Parece que temos algum problema no sinal do Marcos.

Fala que ele vai aparecer na televisão,

que ele vai comer mulher pra caralho, porra!

Bom, a gente volta com o Marcos a qualquer momento.

-Valério. -Ah, agora sim.

Marcos, você está me ouvindo?

Marcos?

Parece que temos um pequeno problema.

-Pode falar, Valério. -Marcos, você sabe alguma novidade

-em relação... -Pode falar.

A gente volta a qualquer momento

com informações a respeito do ônibus.

-Vamos ao futebol. -Valério?

A situação continua indefinida por aqui.

Marcos, vamos nos falar depois.

Agora, Maurício Magalhães

com a notícia do futebol pra vocês.

Essa bicha do Valério... Ele não está me ouvindo.

-Marcos? -Caiu o link, sabe por quê?

Porque está de metelança com o cara do esporte.

Sabe o que eu vou fazer? Eu vou chegar lá,

vou mamar esse filha da puta, pra ver se ele me dá prioridade

nesse negócio no sábado aí. Porra, pelo amor de Deus...

Maurício Magalhães, como foi a rodada de ontem?

PORTA DOS FUNDOS APRESENTA

SEQUESTRO DO ÔNIBUS

REFÉM

Alô, Cosme?

Oi Cosme, é o Wellington, tudo bom?

Cara, me diz uma coisa aqui, velho.

A última vez que deu aquela merda no ônibus,

você mexeu no coletor? O que você fez, cara?

Sei. Não, não. Eu tenho ferramenta, eu vou dar uma olhadinha.

Está bom, valeu. Valeu.

Ai... caralho.

Ah!

Ah.

-Fala, eu desculpo. -Eu te desculpo, amor.

-Eu desculpo você. -Para de chorar.

Eu desculpo você. Respira, tá?

-Eu fico nervosa... -Atenção, todo mundo!

-Sequestro! -O quê?

Sequestraram o ônibus!

Acabaram de me ligar aqui. Está na TV.

Como assim, está na TV?

É melhor vocês ligarem pros parentes de vocês,

pra dar uma acalmada neles, hein.

-Alô? -Que foi?

Pelo amor de Deus, cara.

Não, não, aqui está tranquilo.

Porque a gente que teve que mudar de ônibus.

Pronto, chegamos.

Tira a porra do pé do banco que vai sujar, caralho! E agora?

Agora, eu preciso pensar, não é?

Acho que você tinha que ter pensado seis horas atrás.

É...

Eu preciso sair desse carro aqui.

Ah, lógico! Por que você não coloca no Facebook?

E põe também uma foto no Instagram.

Não, eu preciso de um disfarce. A gente consegue, sei lá,

um boné, uns óculos escuros, e eu consigo sair daqui.

Não, não. Você precisa de uma mudança de sexo

-e uma plástica no nariz. -Eu estou falando sério.

Eu também, MacGyver. Como é que eu vou arrumar

isso tudo aqui agora, no meio desse caos?

Qualquer camelô tem! Sei lá, uns oculozinhos desses, um boné.

Eu consigo disfarçar aqui. Aliás, tem que ser rápido,

porque se qualquer cara do ônibus liga, eu estou fodido.

Caralho... Eu dou meu jeito. Mulher apaixonada é foda,

-burra pra caralho... -Não fala assim de você, não, tá?

Eu estou falando da sua mulher.

-E aí? -Nada.

Será que aconteceu alguma coisa?

Não aconteceu nada, está tudo sob controle.

Eu precisava muito que ele me atendesse agora.

Em meia hora, entro ao vivo na BandNews.

Chefe, a Interpol quer saber quando é que eles podem assumir.

Fala pra eles: "Fuck you!"

-Alô? -Jordana.

Rogério, sou eu! Como é que está aí?

-Você está bem? -Por enquanto, está tudo bem, tá?

Olha só, eu estou com a polícia aqui.

-Espera aí, aconteceu alguma coisa? -Você está sequestrado, Rogério.

Ah, não, sim, claro. Mas tirando isso,

aconteceu alguma coisa com você, não?

Estou preocupada com você!

-Não, olha só, fica tranquila, tá? -Você acha que você sai hoje?

Você saindo, topa gravar o Caldeirão amanhã?

-Quê? -Rogério, aqui é sargento Peçanha.

-Tudo bem? -Tudo na medida possível aqui.

Rogério, eu preciso de informações mais precisas

sobre o que está acontecendo aí dentro, correto?

-São quantos sequestradores? -Eu não posso falar.

-Mas tem alguém ferido? -Não sei.

Como está a situação aí dentro? Você pode falar, não?

Olha só, eu preciso falar com a minha mulher, tá?

Você fala com a sua mulher depois.

Olha só, o sequestrador disse que vai ligar em cinco minutos

dizendo todas as exigências dele, tá?

Mas eu agora preciso falar com a minha mulher em particular.

Falar com ela, não é? Está certo...

Amor, não morre, tá?

Está muito esquisita essa porra.

É que esse viado não fala nada que presta.

Parece você, só que dentro do ônibus.

-E você acha o quê? -Eu quero é saber

porque só esse Rogério que liga pra gente.

-O que você está sugerindo? -Que a gente tem que botar pra foder

nessa porra!

Amorzinho, vocês estão precisando de alguma coisa aí dentro?

Não sei, uma comida, uma bebida... hein?

Não, olha só. Eu quero que você vá pra casa

e não vá mais em programa de TV nenhum.

Mas está tão legal! Eles estão me recebendo super bem!

Luciana Gimenez me ligou hoje. Ela é alta, não é, amor?

Não, olha só, não precisa disso, meu amor.

Sabe uma coisa que eu queria te perguntar?

Você acha que você vai sair hoje mesmo?

O que você acha da gente dar uma enroladinha um pouco até amanhã?

-Que você acha? -Jordana, caralho!

-Que foi? -Não, nada, amor, é...

-Eu prefiro falar com a polícia, tá? -Ah, não, amor.

Fala comigo. Você precisa me acalmar.

Não, olha só, eu sei que te acalma,

mas é porque eu fico ouvindo sua vozinha,

aí eu fico pensando que talvez eu não volte hoje,

-é horrível pra mim. -Não fala assim.

Ô gatinha, tira a patinha do meu carro aí, por favor.

-Ih, que grossa! -Olha só, eu não estou com paciência

-pra você. É só você sair. -Nossa, era só pedir licença, tá?

O que está acontecendo aí, hein, Jordana?

Ai, uma babaca aqui que está me enchendo o saco.

-Do que você me chamou, hein? -Ô, florzinha, olha só,

estou no telefone. Não sei se você percebeu.

Eu não sei se você percebeu, me dá licença você,

você está encostada no meu carro.

Vou aí te encher a cara de tapa, então sai!

Jordana, calma! Sai daí.

-Que porra é essa? -Tem uma idiota aqui

-me enchendo o saco. -Você acha que você é quem

pra ficar me ofendendo assim?

Desencosta do meu carro, ô piranha!

Mirela, fecha a porta

-e entra no carro! -Não fecho.

Vem cá, você devia ter mais respeito com as pessoas, sabia?

Não vai sair, não? Eu vou chamar a polícia.

Então, chama. Chama a polícia.

-Não, não, não. -Estou chamando,

-aí o seu Peçanha! -Eu não estou fazendo nada errado.

Ela arranhou todo o capô com esse anel...

Mentira dela! Eu não estou fazendo nada!

-Não fiz nada! -Ei, ei!

-Olha só, essa mulher... -Chega!

-Essa... -Você não me provoca!

-O carro é da senhora? -O carro é meu.

Então a senhora tira o veículo daqui,

que essa área está toda interditada, por gentileza.

Está toda interditada, por gentileza.

E você desencosta do carro, piranha, vamos. Ei!

-Fecha essa porta! -Calma!

Hoje em dia, as pessoas perderam completamente a noção.

É? E você quer me foder?

Que papo é esse de chamar a polícia aqui?

Qual o problema da pessoa encostar no carro também?

-Vai ficar defendendo? -Não estou defendendo ninguém.

-Vê as coisas que eu comprei! -Não consegui,

fiquei assistindo ao UFC que você montou lá fora.

-O que é isso aqui, meu amor? -Ah, não. Isso aqui é meu.

Dá aqui, que é do Thiaguinho, o novo, que eu gosto dele.

E isso aqui é o quê?

Isso era o que tinha pra você usar, Rogério.

Ai, puta que pariu! Não posso nem mais cagar em paz.

Passa por cima, seu filho da puta!

Ai, porra..

Alô? Aqui é o motorista do 798 com destino a São Paulo.

Teve um probleminha aqui no carro.

É, não vou... Ah!

Vamos saber mais informações sobre o sequestro do ônibus

com o nosso repórter Marcos.

Marcos, quais são as novas informações?

Vou sair tarde pra caramba. Estou aqui ainda...

-Marcos? -...nessa merda dessa rua,

esperando o ônibus aí.

Vamos falar de futebol.

-Idiota, estúpida. Grossa! -Senhora, por favor, se acalme!

Respire, beba sua água, hidrate-se. Ok?

Não acaba nunca isso aqui também!

É, mas antes de acabar, eu preciso fazer

umas perguntas pra senhora. Compreendido?

-Tudo bem, entendi. -Essa primeira pergunta que eu fiz

não está valendo como uma das perguntas

que eu quero fazer pra senhora, a senhora tem noção disso?

-Compreendi. -Essa também agora não valeu,

porque foi só uma pergunta subsequente

da pergunta principal que eu tinha feito antes

pra dizer que eu ia fazer mais perguntas, certo?

-Ok. -Agora sim, como quinta pergunta,

mas que, na verdade, vale como primeira pergunta

das perguntas que eu quero fazer pra senhora:

foi a senhora que levou o seu marido... Marido?

-Marido. -Foi a senhora que levou

-o seu marido na rodoviária ou não? -Não, ele foi sozinho.

-Ele foi sozinho? -Sozinho.

Ele foi de ônibus, de táxi, foi...?

-De táxi... de ônibus... -De táxi... de ônibus...

-Não sei. -O que seu marido foi fazer

-em São Paulo? -Foi atender uns clientes.

-Ah, uns clientes? -É.

-Ele trabalha com o quê? -Ele é vendedor de seguro de carros.

-Certo. -Mas eu estou tão cansada,

-eu queria ir pra casa. -Se eu fosse a madame,

eu ficaria aqui pelas redondezas hoje,

porque a situação do seu marido está mudando um pouquinho.

-Como assim? -Porque a gente ainda não sabe

com o que está lidando aqui, entendeu?

A gente está vendo as coisas de outra perspectiva, não é?

A nível de... um patamar diferente.

Olha ele! É ele aqui! É ele!

A senhora, então, se importa se eu atender dessa vez?

Com licença.

Alô, Rogério? Aqui é o sargento Peçanha,

como é que está a situação aí?

Oi, oi. Olha só, tem uma série de exigências aqui.

A polícia não negocia com bandido.

Presta atenção, se não forem cumpridas as exigências,

vai ter gente morrendo aqui de verdade.

O negócio é o seguinte, rapaz: se você me liberar cinco reféns

na próxima meia hora, a gente pode negociar.

Não, olha só. Vocês precisam mostrar algum ato de boa vontade antes.

Boa vontade é o caralho. Já saquei qual é o teu esquema,

-ô filha da puta! -Oi?

Tu acha que eu sou otário? Qualira, trouxete, vacilão.

-É isso, porra? -Calma, tá?

Calma é a chapelota rosada do meu pau, porra!

Tu não engana mais ninguém, rapaz!

-Mas do que você está falando? -Como assim?

Eu sei o que está acontecendo, porra!

Que isso, espera aí. Que enganar quem?

Eu não estou enganando ninguém.

Tua mulher pode ser burra pra caralho, mas eu não sou não!

Tu que é o sequestrador, não é, corno do caralho?

Sou sequestrador nenhum, o que você está falando, cara?

É o seguinte, filha da puta:

se tu não liberar cinco reféns na próxima meia hora,

eu vou entrar aí arregaçando essa porra toda.

Vai ser pior do que Barcelona com a defesa do Botafogo,

eu vou escarraçar essa tua cara nessa porra desse ônibus,

seu filha da puta, entendeu?

Cinco minutos, senão eu vou entrar e vai ser Carandiru

-nessa merda! -Não, espera aí, calma!

Ei, ele está... Alô? Caralho!

-Cara, o que foi? -O que foi é que fodeu!

Eles vão invadir o ônibus, a polícia vai invadir.

Tá, e agora a gente vai fazer o que então?

Agora eu preciso arranjar pra ontem um uniforme da polícia.

Eu tenho como conseguir, só que envolve sedução.

-Tu gosta, não é, sua putinha? -Gosto.

-Sua safada, sua doente. -Acho que eu gosto.

Estou achando que não foi por acaso esse encontro, não.

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