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Danilo Brito (Música Choro), DOIS GÊNIOS DO VIOLÃO que a maioria NÃO conhece - por DANILO BRITO

DOIS GÊNIOS DO VIOLÃO que a maioria NÃO conhece - por DANILO BRITO

Olá, meus amigos!

Danilo Brito aqui!

Muito bem-vindo a este canal dos amantes da música feita de coração!

Você já ouviu falar dos Índios Tabajaras?

Não estou falando somente da tribo, não...

Estou falando dos dois irmãos,

grandes violonistas, que fizeram sucesso no mundo inteiro!

Nasceram na década de 1910.

E, em 1933, saíram do agreste cearense,

precisamente da Serra da Ibiapaba, rumo ao Rio de Janeiro.

E, um detalhe...

A pé!

Saíram numa aventura... E isso por que?

Eles tinham uma voz bonita...

Cantando em Tupi...

Não falavam português...

E alguém disse: "Eles têm que tentar...

a sorte da vida artística...

no Sul, no Sudeste!"

E saíram nessa jornada...

Uma família enorme...

Os pais com 14 filhos.

Bom... Eles eram: Muçaperê e Herundy!

E aí vieram descendo, viu?

Vieram descendo... Pernambuco... Bahia...

Chegaram na Bahia, compraram um violão!

Relato de um deles...

E quando bateu as cordas do violão tomou um susto!

Aquele som... aquela coisa...

Vieram aprendendo na raça... sozinhos...

alguns acordes, mas, ainda pelo meio do caminho,

tiveram que deixar o violão em troca de uma cuia de feijão.

A viagem durou, viu?

A viagem durou uns três anos...

E, chegando ao Rio de Janeiro,

eles começaram a se apresentar... em feiras...

E, depois, passaram a se apresentar na rádio também. E...

Apesar de já atenderem por nomes diferentes...

Natalício Pereira Lima e Antenor Pereira Lima,

eles fizeram sucesso como "Os Índios Tabajaras".

Como sugestão deles mesmos.

Os trabalhos foram se avolumando...

O sucesso foi aumentando....

E logo já estavam tocando em São Paulo...

Viajaram pela América do Sul...

Com grande sucesso!

Em que pese, às vezes,

o cachê só dar para cobrir a alimentação e para continuar a viagem...

Foram para o México....

Tudo isso tocando de ouvido!

De maneira autodidata!

É uma coisa impressionante! Não é?

Um deles diz que ficou impressionado...

com Chopin, quando ouviu pela primeira vez...

Assistido a um filme, que, aliás, eu recomendo aqui!

Um filme muito bonito, chamado: "À Noite Sonhamos".

Mas quando o Natalício, ou Nato Lima, como ficou conhecido...

quando escutou, pela primeira vez, a música de Chopin...

ficou apaixonado!

E aí ele, aprendendo música, teoria musical,

debruçou-se sobre a obra de Chopin...

Esmiuçou tudo aquilo...

E o que ele fez?

Ele pegou aquela obra para piano...

E transcreveu aquilo para dois violões.

E aí ele passava para o irmão dele...

a função do violão de acompanhamento.

E ele, como solista brilhante,

fez um sucesso enorme com isso!

Eles chamavam a atenção por onde passavam!

Acabaram assinando um contrato com a RCA,

Norte-americana, poderosíssima.

Fez sucesso... Fez algum sucesso por lá...

Naquela época... Ou seja, nos Estados Unidos.

Fizeram turnês... Fizeram inúmeras apresentações... todo o mundo...

queria conhecer os índios brasileiros...

tocando violão com maestria.

Às vezes eles se apresentavam com suas vestes de índio mesmo...

Com cocar na cabeça, aquela coisa linda...

E, às vezes, de smoking... gravata borboleta...

Eles excursionaram por muito tempo.

E, aí, de volta ao Brasil...

Chegaram como ilustres desconhecidos....

Parece que a coisa aqui não colou muito, sabe?

E aí tentaram alguma coisa... entaram outra... Não...

Como eles já tinham juntado um dinheirinho...

Compraram umas terras...

E foram trabalhar com agricultura.

Foram ser agricultores.

Juntaram a família novamente.

E enquanto isso, lá, nos Estados Unidos...

Um produtor de um programa de rádio...

Ele procurando na discoteca da rádio música instrumental para colocar...

Ele se deparou com o disco dos Índios Tabajaras.

E havia uma música lá que era a que ele procurava...

Uma música chamada "Maria Elena".

E aí passava como fundo musical de um quadro do programa...

E os ouvintes começaram a ouvir aquilo diariamente...

"Mas quem são esses instrumentistas formidáveis que estão tocando?!"

E aí todo o mundo queria saber, todo o mundo queria comprar aquele disco!

E aí toca a RCA ligar para a filial no Rio de Janeiro...

"Onde estão os Índios?! Os índios Tabajaras? Precisamos deles aqui!"

E foi uma dificuldade para encontrá-los....

Eles morando a cem quilômetros da cidade do Rio de Janeiro...

No meio do mato...

Mas conseguiram encontrar....

E eles até acharam que era uma brincadeira aquilo, naquela inocência deles...

Mas quando mostraram as passagens com as despesas pagas...

Aí acreditaram... E foram de volta para os Estados Unidos.

E aí foi um sucesso como ninguém esperava!

Gravaram mais discos.

Tornaram-se referência em seus instrumentos.

A crítica especializada tecia elogios...

Uau!

Valorosos músicos brasileiros, hein?!

É uma coisa impressionante o que eles tocavam!

E quando você pára para vê-los tocando...

Você percebe que é uma técnica nada convencional...

Que eles aprenderam sozinhos, mesmo, na raça!

Por exemplo você vê o solista tocando com uma dedeira.

Dedeira, geralmente, se usa para um violão de sete cordas de acompanhamento...

Mas,para um solista, não!

Ele toca com uma dedeira...

Tem hora que ele arpeja aqui... que ele puxa com as unhas, os dedos...

E tem hora que ele toca assim... Tem hora que toca assim...

E tem hora que ele toca como se estivesse usando uma palheta.

Só que com a dedeira enrolada aqui no dedo.

Que a dedeira é como se fosse isso, a palheta, né?

Mas ela faz uma volta no dedo aqui.

Então ele segurava assim e tinha momentos que ele solava daquela maneira.

Isso é muito difícil, sabe?!

Você solar com uma dedeira enrolada no dedo! [risos]

É impressionante a qualidade sonora!

A expressão musical deles!

Você percebe que eles tocavam com alma! Com alma, com coração!

E... detalhe!

Com uma expressão muito serena... Com aquela calma toda.

Mas a música cantando ali! Sabe?

Penetrando em nossos corações.

Senão, vamos ver e ouvir...

Para o deleite de nós todos!

Os índios Tabajara tocando Chopin.

Já "pensassse" numa coisa dessas?!

Você viu a técnica?

Você viu a beleza da sonoridade?

E você percebeu que o violão dele para dar a extensão toda do piano...

das notas originais da partitura...

Ele teve que fazer uma extensão aqui da escala do agudo até aqui.

Para que ele pudesse...

E ele fazia a escala cromática correndo o dedinho assim, sem falhar!

Que coisa impressionante!

E a sonoridade? Parece um piano quando ele vai lá no agudo!

Que coisa maluca, não é?

Você! Qua a sua opinião?

O que você acha?

Como isso é possível?

Uma pessoa sair dos mais distantes rincões do Brasil...

Um "analfabeto musical"...

Quando eu digo isso, ou seja, que ele não teve uma educação acadêmica musical...

Não sabia ler uma partitura... Não sabia nada...

Não conhecia um violão... Nunca tinha visto um violão na vida!

Venho aprendendo no caminho... Alguns acordes... no caminho a pé!

No trajeto a pé do Ceará para o Rio de Janeiro... são quase três mil quilômetros!

Imagine...

Como pode chegar num nível tão grande...

Assim... beirando a perfeição!

É uma coisa muito impressionante isso!

O sucesso deles foi tão grande que no início dos anos 1970...

Eles tinham gravado 48 discos...

Com 8 milhões de cópias vendidas!

Sabe o que é isso?!

Só naquela música "Maria Elena", que fez um sucesso estrondoso...

Eles venderam um milhão e meio de discos!

Um milhão e meio de cópias só nos Estados Unidos.

Eles passeavam com tranquilidade pela música clássica do violão...

A música erudita... e, também, pelo Samba...

Pelo Bolero... a música popular....

Eles compunham... Cantavam muito bem!

É uma coisa impressionante, isso!

Há quem acredite em dom... Há quem acredite que seja uma coisa espiritual...

Outros falam que é uma habilidade extraordinária...

Uma capacidade fora do comum de aprender...

Você o que acha? Por favor coloque aqui nos comentários. Me ajude a desvendar um negócio desse.

Bom... mas, enquanto você pensa um pouco aí,

Eu vou colocar mais um trecho deles, tocando....

Que beleza!

Para o aplauso dos senhores: Os Índios Tabajaras!

Não é uma beleza, senhoras e senhores?!

Esse Brasil deu muito cabra bom!

Deu e ainda dá!

Bom... Eu peço que você se inscreva aqui neste canal!

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Para que nós possamos alcançar as pessoas que estão ávidas para ouvir a música!

A música que toca a alma!

Muito obrigado a você pela audiência!

E eu vou deixar você com mais um pouco dos Índios Tabajaras!

E você perceba que não é somente uma técnica apurada, não...

Que não é só aquela velocidade... Não!

Ali tem expressão artística verdadeira!

Isso é o que importa: a beleza! Senhoras e senhores!

E por falar em técnica vamos apreciar agora...

"O Voo do Besouro".

Um grande e forte abraço!

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