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Gladiator, Parte IV: As Correntes do Destino – Κείμενο για ανάγνωση

Gladiator, Parte IV: As Correntes do Destino

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Parte IV: As Correntes do Destino

Parte IV: As Correntes do Destino

O sol bate sem piedade, e a areia queima debaixo dos pés, tornando cada passo mais pesado, como se a própria terra quisesse prender aqueles que avançam acorrentados.

Maximus caminha com os outros homens, os pulsos atados, o olhar fixo, enquanto o som das correntes acompanha cada movimento.

— Anda! — grita um guarda.

Um homem ao lado dele murmura:— De onde vens, irmão?— De Espanha.— Tinhas família?

Maximus hesita.— Tinha.

— E agora?

Um silêncio.— Agora… nada.

O homem percebe, sem insistir.— Eu chamo-me Juba.— Maximus.

— Tiraram-te tudo, não foi?

Maximus não responde.

— Lamento — diz Juba, em voz baixa.

Caminham lado a lado, em silêncio.

— Ainda pensas neles?— O tempo todo… como se ainda estivesse lá.

Os dias passam, lentos, repetitivos.

Finalmente chegam a um mercado.

— À venda! Olhem para eles!

Compradores observam os corpos, avaliam, escolhem, rejeitam.

— Este parece forte.— Não, demasiado fraco.

Depois levam-nos para um grande espaço cercado por muros altos.

— O que é isto? — murmura Maximus.— Uma escola de gladiadores — responde Juba.

Um homem robusto observa-os, de braços cruzados.

— Bem… vão sobreviver.

Aproxima-se de Maximus.

— Tu… eu conheço-te.

Silêncio.

— Foste general.

Um leve sorriso.— Já não.

— Não… agora és gladiador. Aqui, lutas… ou morres.

Algo muda no olhar de Maximus.

— Levem-nos!

O treino começa imediatamente.

— Mais rápido!— Levanta o escudo!— Outra vez!

Maximus cai, levanta-se, recomeça.

— És demasiado lento!— Bate com mais força!

Ele golpeia vezes sem conta, até que os movimentos se tornam precisos, controlados.

À noite, junto ao fogo:

— Lutas como se quisesses morrer — diz Juba.

Maximus olha para as chamas.— Talvez.

Juba abana a cabeça.— Não… tu não queres morrer.

Maximus vira ligeiramente a cabeça.— Então o quê?

— Queres matar.

Um silêncio.

— Sim.

Juba acena.— Não é a mesma coisa.

Ficam ali, imóveis.

— Ouve… aqui somos irmãos — diz Juba.

— Irmãos?

— Sim. Porque vivemos juntos… e às vezes, morremos juntos.

Maximus reflete.— Então precisamos de uma razão para lutar.

— Exatamente.

— Porquê?

— Por eles… pela tua família.

Maximus fecha os olhos.— Por eles…

— E isso muda tudo.

Maximus abre os olhos.— Então eu luto.

As semanas passam.

O corpo muda. Mais rápido. Mais preciso. Mais perigoso.

— Outra vez!— Muito bem!— Aprendes depressa!

Os outros começam a segui-lo.

— Olha para ele…— Nunca para.

Proximo observa, intrigado.

— Interessante…

Um dia, chama Maximus.

— Vem aqui.

Maximus aproxima-se.

— Já te seguem.

— Isso não me interessa.

Proximo inclina a cabeça.— Não? Então diz-me… o que queres?

Silêncio.

— Vingança?

Maximus encara-o.— Talvez.

Proximo sorri ligeiramente.— Perfeito… o público adora isso.

Afasta-se.

— Prepara-te. Entras em breve na arena.

Maximus fica sozinho.

Pega numa espada de madeira e repete os movimentos.Outra vez. E outra vez.

— Outra vez… mais preciso…

Pára. Respira.

— Marcus…

Um sussurro.

— Celia…

Aperta a espada.

— Não me esqueço.

O vento levanta o pó.

— Vou sair daqui…

O olhar é calmo, mas duro.

— Vou quebrar estas correntes… e voltar.

Dá um passo em frente.

— Roma vai ver-me…

Levanta a espada.

— E ele também.

O som do metal das correntes ecoa suavemente.

Mas já não é o som de uma prisão.

É algo que está prestes a ceder.

Maximus já não é apenas um escravo.

Está a tornar-se outra coisa.

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