BARBIES
Bom, pessoal, chamei vocês aqui como vocês podem ver
as vendas de brinquedos despencaram, né.
Porque com esse negócio de iPad e iPhone
a molecada não quer mais saber de brinquedo.
A gente precisa dar uma repaginada na nossa linha.
Botar esses brinquedos mais aí em dia
com o que está acontecendo nas ruas.
Então ideia de Barbie.
Quem vai me apresentar uma ideia nova de Barbie aqui?
-Pois não, Shirley, vamos lá. -Obrigada, chefe.
Bom, gente, a Barbie sempre foi
um símbolo muito importante pras meninas.
Então de acordo com essas novas tendências da sociedade e tal
é com muito prazer que eu apresento pra vocês
a Barbie Rambo.
-A Barbie o quê? -Rambo.
Ela bem com duas pistolas,
uma faca retrosserrilhada.
Vem com uma AR-15
já com o número de série aqui ó, já está raspadinho aqui.
Um cantilzinho aqui que está escrito "bandido bom é bandido morto"
em purpurina porque ela mora do Rio de Janeiro
e quer se vingar do Batman.
O Batman é o Batman, o nosso Batman?
Não, é um miliciano da Zona Oeste.
Ah, olha só!
É tipo um ícone infantil feminino
tomando de assalto um ícone infantil masculino.
Isso! Só que ao invés de tomando de assalto,
a gente vai usar "intervenção" no release.
E ela namora o primeiro Ken hétero,
que é a favor da volta da ditadura.
Adorei! Achei sensacional.
Pra mim está aprovadíssimo. Alguém tem mais alguma ideia?
-Eu tenho! -Diga lá, Ricardo.
Essa aqui é a Barbie Problema.
-E como é que é essa? -Complicada.
Mas ela já vem com o manualzinho aqui de argumentos volúveis
que é pra ela dar aquela problematizada boa no Face.
Isso tudo aí é manual?
Não, aqui também tem uns processos que ela tem nas costas.
E tem um atestado aqui também de mitomaníaca.
Olha! Adorei! Incrível!
Que mais que ela tem?
Ela tem depressão, né, ela tem transtorno de ansiedade,
mas é tudo imaginário.
Aquilo ali saindo da bolsinha dela é dinheiro?
Ai, notou! Que legal!
-Não, isso aqui é mesada. -Maravilha!
Aqui, o que eu coloquei. Pequenininho. R$ 100.
Achei incrível até porque ela é gordinha, deu pra ver daqui.
Aí já quebra essa coisa de padrão de beleza.
Já ataca a gordofobia.
Não, mas é aí que está. Ela não é gorda.
-Não? -Eu gosto de surpreender.
Olha a cara dele. Ela está grávida.
Mas aí encarece a produção.
A boneca grávida vai precisar de um bebezinho.
Venho com outra surpresa, chefe.
Puxou a camisa aqui,
apertou, escuta o barulho.
São gases!
É uma gravidez psicológica.
Sensacional! Sinal verde pra essa aí também. Maravilha!
-Alguém tem mais alguma ideia? -Eu pensei numa opção bem baratinha.
-Essa Barbie aqui. -Mas essa é uma Peppa Pig, não é?
Não, é o George Pig, que é irmão da Peppa,
-mas agora virou uma Barbie. -Entendi, Waldir!
Você já foi na história de identidade de gênero, né?
Então, eu acho identidade de gênero uma coisa muito 2015,
acho que a meninada agora está mais na identidade de espécie
por isso que eu trouxe isso daqui.
-Isso é um Lego? -Não, é uma pistola de Nerf.
E trouxe esse Bob Esponja que é um carrinho de controle remoto.
E também essas figurinhas da seleção que são cartas de Magic.
Incrível! Você quebrando paredes, né, Waldir?
E o custo é muito barato pra gente,
dá 2 centavos cada uma.
A gente pode vender por R$ 250.
-Acho que é um bom negócio. -Sensacional! Tudo aprovado.
Vocês me surpreenderam.
Reunião super produtiva.
-Vamos pra super-heróis? -Vamos!
-Quem trouxe ideia de super-herói? -Eu!
Rapidinho, desculpa. Posso falar o meu primeiro?
-Vamos lá. -She-Man!
-Isso aí é o quê, Ricardo? -Isso é um cubo mágico.
Mas é que todos os lados são iguais, né?
Exatamente. Esse aqui é o cubo mágico
que é pra todo mundo jogar, ninguém sai perdendo.
É pra essa geração de vencedores mesmo, entendeu?
Aqui ninguém se sente um idiota.
Aqui todo mundo joga e está sempre feliz.
Sempre jogando e sempre animado.
-Sempre ganhando. -Sempre ganhando!
É uma geração que...
é a geração do Merthiolate que não arde, entendeu?