Parte I: O Filho do Agricultor
Parte I: O Filho do Agricultor
O sol desce sobre os campos da Hispânia. Maximus observa o filho a brincar com uma espada de madeira perto do celeiro. Celia apanha maçãs um pouco mais longe.
— Marcus, segura a espada mais alta! Mantém os pés afastados.— Assim, pai?— Sim, melhor assim. És forte, meu filho.
Marcus faz outro movimento, um pouco desajeitado.— E assim?— Não, espera… baixa um pouco o ombro. Isso. Agora estás estável.
Celia aproxima-se com o cesto.— Parece que já está pronto para a guerra.— Espero que não — diz Maximus, sorrindo. — Que fique só a brincar.
Marcus pára e olha para eles.— Mas eu gosto!— Gostar de brincar é bom — responde Maximus. — Mas a guerra a sério não é um jogo.— Como é?Maximus hesita um segundo.— É barulho, medo… e escolhas difíceis.
Um pequeno silêncio.— Então prefiro ficar aqui — diz Marcus.
Maximus ri-se suavemente.— Eu também.
Caminham em direção à casa.— Ficas para jantar? — pergunta Celia.— Claro. Nunca falho o teu jantar.
Marcus corre à frente.— Vou guardar a minha espada!
Celia olha para Maximus.— És feliz aqui?— Sim. É tudo o que eu queria.
Um som de cavalos interrompe a conversa.— Ouves?— Sim…
Maximus vira-se para o caminho.— Fica com o Marcus.
Avança e vê cavaleiros. Quintus está à frente.— Maximus.— Quintus… há quanto tempo.
Olham-se por um momento.— O imperador Marco Aurélio quer ver-te. É urgente.— Agora?— Sim.
Maximus suspira.— Porquê eu? Agora sou agricultor.
Quintus aproxima-se um pouco.— Porque continuas a ser o melhor general dele.
Celia chega atrás de Maximus.— O que se passa?— O imperador chama-o — diz Quintus.
Ela olha para Maximus.— Vais?
Maximus não responde logo.— Tenho de perceber o que ele quer.
Marcus volta a correr.— Pai, quem é?— Um velho amigo.
Marcus olha para os soldados.— Vais embora?— Talvez.
— Vais lutar?Maximus inclina-se para ele.— Só se for preciso.
Celia baixa os olhos por um instante.— Voltas depressa?— Vou tentar.
Um silêncio passa entre eles.
— Tem cuidado — diz ela, baixinho.— Sempre.
Maximus monta o cavalo. Marcus olha para ele com os olhos bem abertos.— Vais mostrar-me mais movimentos quando voltares?— Claro. E tens de treinar todos os dias.— Prometo!
Maximus sobe à sela.— Cuida da tua mãe.— Sim, pai.
Ele olha mais uma vez para a quinta, os campos, a sua família.
— Vamos — diz Quintus.
Maximus acena com a cabeça.— Vamos.
Os cavalos avançam. A quinta fica cada vez mais pequena atrás dele.
O vento sopra. Maximus permanece em silêncio.
— Arrependes-te? — pergunta Quintus.— Não… mas sei o que deixo para trás.
— E o que te espera?— Ainda não sei.
Continuam o caminho.
Maximus sente algo a voltar dentro dele. Ainda não a guerra.
Mas o dever.