3
Numa tarde de sol, a Aurora Archer e o Sam estavam no parque a treinar tiro com arco. De repente, ouviram muita confusão na rua ali ao lado: gritos, gente a correr, e um barulho forte.
Os dois olharam um para o outro, preocupados, e foram ver o que se passava.
Quando se aproximaram, viram um grupo de pessoas à volta de uma joalharia pequena. As pessoas gritavam e apontavam para dentro da loja.
O coração da Aurora começou a bater mais depressa.
— O que é que se passa? — perguntou ela a alguém que estava ali perto, com a voz a tremer.
— É um assalto! — respondeu a pessoa, com os olhos bem abertos. — Entrou um grupo de tipos mascarados e estão a roubar tudo!
A Aurora virou-se para o Sam e apertou o arco com força.
— Temos de fazer alguma coisa, Sam. Não podemos ficar aqui a ver.
O Sam assentiu, sério.
— Tens razão. Vamos lá. Temos de os parar.
Foram a correr até à entrada da joalharia. Lá dentro ouviam-se gritos, coisas a cair e vidro a partir.
A Aurora respirou fundo para se acalmar.
— Fica atrás de mim, Sam — disse ela, tentando manter a voz firme.
— Ok. Estou contigo — respondeu ele, mais baixo.
A Aurora deu um passo à frente, empurrou a porta com força e entrou. Olhou rapidamente à volta.
O que viu deixou-a furiosa.
Havia vários criminosos com máscaras. Estavam a partir vitrinas, a tirar colares e pulseiras, e a meter tudo em sacos. Ainda por cima, riam-se como se fosse um jogo.
Mas o riso parou quando repararam na Aurora e no Sam.
— Quem é que vocês são?! — gritou um deles, a levantar um pé-de-cabra.
A Aurora não recuou.
— Nós somos os do lado certo — disse ela, calma, mas firme. — E vamos impedir-vos de magoar alguém.
O homem fez um ar de gozo.
— Ah, sim? E vais fazer o quê com esse arco?
A Aurora pôs uma flecha, devagar, sem tirar os olhos dele.
— Vou fazer-te parar.
O Sam ficou mesmo atrás dela e falou rápido:
— Aurora… cuidado. Eles são vários.
— Eu sei — respondeu ela, sem olhar para trás. — Mas não vou deixar isto acontecer.
Um outro criminoso deu um passo em frente.
— Saiam daqui, já. Isto não é problema vosso.
A Aurora levantou o arco e apontou para o chão, mesmo à frente dos pés dele, como aviso.
— Um passo a mais e eu não falho.
Os criminosos trocaram olhares, agora menos confiantes. Lá fora, as pessoas continuavam a gritar.
A Aurora sentiu a adrenalina a subir, mas manteve-se firme. Ela ainda não sabia, mas aquele momento ia ser a primeira de muitas lutas no caminho para se tornar uma verdadeira heroína.