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PortCast - European Portuguese, BEIJO OU NÃO BEIJO? - Marta Costa e Catarina Stichini

BEIJO OU NÃO BEIJO?

 

Vou visitar uns amigos portugueses e não sei bem o que fazer.

Vi nas telenovelas que eles se cumprimentam com beijos. Dão beijos quando chegam, beijam-se outra vez quando se vão embora, dão beijos a amigos, a colegas e até a desconhecidos! Para mim, são muitos beijos e tudo me parece estranho. Porque se chegam tanto a nós? Não pensam se queremos ou não ser beijados? Podemos estar constipados! Ou simplesmente não gostar de beijar tanta gente.

 

Não quero parecer mal-educada ou antipática, mas devo confessar que todo este movimento corporal me incomoda.

Não estou acostumada a estas coisas. Sou tímida, por natureza, e no meu país não é assim, mas tenho que aprender como se faz em Portugal e adaptar-me rapidamente a estes costumes, porque quero fazer amigos e sentir-me bem aqui.

 

Como devo então começar?

Quantos beijos dou? A quem? Começo pelo lado direito ou esquerdo? Há alguma diferença? Beijo homens e mulheres? Já percebi que os homens portugueses não se beijam entre si. Porque será?

 

Vou tocar à campainha.

Quem será que vem à porta? Falo ou dou logo um beijo? Entro primeiro? E as mãos, onde ficam? O que faço com elas? Dou um abraço também? Não, é muito íntimo. Não os conheço assim tão bem. Abraços, não! Para mim, beijar é suficiente. Não me lembro de ver abraços nas telenovelas.

 

Toquei à campainha.

Ouço passos. Vão abrir a porta. É uma menina que fica a olhar para mim e chama a mãe. A minha amiga vem à porta e diz à filha: “Então, o que fazemos quando recebemos visitas? Diz olá à Kelly, dá-lhe dois beijinhos e apresenta-a aos outros convidados.”.

 

Ela ensinou a filha, mas quem aprendeu fui eu.

Diz olá e depois os dois beijinhos. Dei dois beijinhos à menina e à minha amiga, também. Entrei na sala onde estavam todos os convidados que, sem cerimónias e com muitos sorrisos, fizeram o mesmo, sem perceber a minha aflição de principiante em beijinhos.

 

Já em casa, antes de adormecer, pensei, Afinal não foi assim tão difícil!

Descobri também por onde começar! Primeiro, damos a face direita e, logo depois, a esquerda, tocando levemente com a nossa mão direita no ombro esquerdo da outra pessoa. A boca não toca na cara e o mais importante é o som do beijinho, que completa o cumprimento. Parece que só em situações muito formais é que se deve dar só um aperto de mão.

 

Foi uma experiência e tanto, com beijos à entrada e à saída!

Se os meus pais me vissem ali, aos beijos a toda a gente, iam dizer que já estou a ficar portuguesa!


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BEIJO OU NÃO BEIJO?

 

Vou visitar uns amigos portugueses e não sei bem o que fazer.

Vi nas telenovelas que eles se cumprimentam com beijos. Dão beijos quando chegam, beijam-se outra vez quando se vão embora, dão beijos a amigos, a colegas e até a desconhecidos! Para mim, são muitos beijos e tudo me parece estranho. Porque se chegam tanto a nós? Não pensam se queremos ou não ser beijados? Podemos estar constipados! Ou simplesmente não gostar de beijar tanta gente.

 

Não quero parecer mal-educada ou antipática, mas devo confessar que todo este movimento corporal me incomoda.

Não estou acostumada a estas coisas. Sou tímida, por natureza, e no meu país não é assim, mas tenho que aprender como se faz em Portugal e adaptar-me rapidamente a estes costumes, porque quero fazer amigos e sentir-me bem aqui.

 

Como devo então começar?

Quantos beijos dou? A quem? Começo pelo lado direito ou esquerdo? Há alguma diferença? Beijo homens e mulheres? Já percebi que os homens portugueses não se beijam entre si. Porque será?

 

Vou tocar à campainha.

Quem será que vem à porta? Falo ou dou logo um beijo? Entro primeiro? E as mãos, onde ficam? O que faço com elas? Dou um abraço também? Não, é muito íntimo. Não os conheço assim tão bem. Abraços, não! Para mim, beijar é suficiente. Não me lembro de ver abraços nas telenovelas.

 

Toquei à campainha.

Ouço passos. Vão abrir a porta. É uma menina que fica a olhar para mim e chama a mãe. A minha amiga vem à porta e diz à filha: “Então, o que fazemos quando recebemos visitas? Diz olá à Kelly, dá-lhe dois beijinhos e apresenta-a aos outros convidados.”.

 

Ela ensinou a filha, mas quem aprendeu fui eu.

Diz olá e depois os dois beijinhos. Dei dois beijinhos à menina e à minha amiga, também. Entrei na sala onde estavam todos os convidados que, sem cerimónias e com muitos sorrisos, fizeram o mesmo, sem perceber a minha aflição de principiante em beijinhos.

 

Já em casa, antes de adormecer, pensei, Afinal não foi assim tão difícil!

Descobri também por onde começar! Primeiro, damos a face direita e, logo depois, a esquerda, tocando levemente com a nossa mão direita no ombro esquerdo da outra pessoa. A boca não toca na cara e o mais importante é o som do beijinho, que completa o cumprimento. Parece que só em situações muito formais é que se deve dar só um aperto de mão.

 

Foi uma experiência e tanto, com beijos à entrada e à saída!

Se os meus pais me vissem ali, aos beijos a toda a gente, iam dizer que já estou a ficar portuguesa!

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