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PortCast - Brazilian Portuguese, BEIJO OU NÃO BEIJO? - Marta Costa e Catarina Stichini

BEIJO OU NÃO BEIJO?

 

Vou visitar uns amigos brasileiros e não sei bem como fazer.

Vi nas novelas que eles se cumprimentam com beijos. Dão beijos quando chegam e beijam outra vez quando vão embora. Beijos entre amigos, colegas e até desconhecidos. Para mim são muitos beijos. Tudo me parece estranho. Porque chegam tão perto? Não pensam se queremos ou não ser beijados. Podemos estar resfriados ou simplesmente não gostar de beijar tanta gente.

 

Não quero parecer mal-educada ou antipática, mas devo confessar de todo esse movimento corporal me incomoda.

Não estou acostumada a essas coisas. Sou tímida de natureza e no meu país não é assim, mas tenho que aprender como se faz no Brasil e rapidamente me adaptar a esses costumes porque quero fazer amigos e me sentir bem aqui.

 

Como começar então?

Começo pelo lado direito ou esquerdo? Isto faz alguma diferença? Quantos beijos dou? E a quem? Beijo homens e mulheres? Já percebi que os homens brasileiros não se beijam entre si. Porque será?

 

Vou tocar a campainha.

Quem será que vem abrir a porta? O que faço primeiro? Falo ou dou logo um beijo? Entro primeiro? E as mãos, onde ficam? O que faço com elas? Dou um abraço também? Não, é muito íntimo. Não os conheço tão bem assim. Abraços, não! Beijar para mim é o suficiente. Não me lembro de ter visto abraços nas novelas.

 

Toquei a campainha.

Ouço passos. Vão abrir a porta. É uma menina que me olha e chama a mãe. Minha amiga vem até a porta e diz à filha : “Então, não sabe o que fazer quando recebemos visitas? Diga olá à Kelly, dê-lhe dois beijinhos e apresente-a aos outros convidados.”

 

Ela ensinou a filha, mas quem aprendeu fui eu.

Diz-se olá e depois os dois beijinhos. Dei dois beijinhos na menina e na minha amiga também. Entrei na sala onde estavam todos os outros convidados que, sem cerimônias e com muitos sorrisos, me beijaram sem perceber a minha aflição de principiante em beijinhos e abraços.

 

 

Já em casa antes de dormir pensei: afinal não foi tão difícil assim.

Descobri também como começar. Primeiro, damos a face direita e logo depois a esquerda, pousando levemente a mão direita no ombro esquerdo da outra pessoa. Os lábios não tocam a face e o mais importante é o som do beijinho que completa o cumprimento. Parece que só em situações muito formais é que basta apenas um aperto de mão.

 

Foi uma experiência e tanto, com beijos à entrada e à saída.

Se meus pais me vissem ali, beijando toda aquela gente, iam mesmo pensar que eu já estava me tornando uma legítima brasileira.


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BEIJO OU NÃO BEIJO?

 

Vou visitar uns amigos brasileiros e não sei bem como fazer.

Vi nas novelas que eles se cumprimentam com beijos. Dão beijos quando chegam e beijam outra vez quando vão embora. Beijos entre amigos, colegas e até desconhecidos. Para mim são muitos beijos. Tudo me parece estranho. Porque chegam tão perto? Não pensam se queremos ou não ser beijados. Podemos estar resfriados ou simplesmente não gostar de beijar tanta gente.

 

Não quero parecer mal-educada ou antipática, mas devo confessar de todo esse movimento corporal me incomoda.

Não estou acostumada a essas coisas. Sou tímida de natureza e no meu país não é assim, mas tenho que aprender como se faz no Brasil e rapidamente me adaptar a esses costumes porque quero fazer amigos e me sentir bem aqui.

 

Como começar então?

Começo pelo lado direito ou esquerdo? Isto faz alguma diferença? Quantos beijos dou? E a quem? Beijo homens e mulheres? Já percebi que os homens brasileiros não se beijam entre si. Porque será?

 

Vou tocar a campainha.

Quem será que vem abrir a porta? O que faço primeiro? Falo ou dou logo um beijo? Entro primeiro? E as mãos, onde ficam? O que faço com elas? Dou um abraço também? Não, é muito íntimo. Não os conheço tão bem assim. Abraços, não! Beijar para mim é o suficiente. Não me lembro de ter visto abraços nas novelas.

 

Toquei a campainha.

Ouço passos. Vão abrir a porta. É uma menina que me olha e chama a mãe. Minha amiga vem até a porta e diz à filha : “Então, não sabe o que fazer quando recebemos visitas? Diga olá à Kelly, dê-lhe dois beijinhos e apresente-a aos outros convidados.”

 

Ela ensinou a filha, mas quem aprendeu fui eu.

Diz-se olá e depois os dois beijinhos. Dei dois beijinhos na menina e na minha amiga também. Entrei na sala onde estavam todos os outros convidados que, sem cerimônias e com muitos sorrisos, me beijaram sem perceber a minha aflição de principiante em beijinhos e abraços.

 

 

Já em casa antes de dormir pensei: afinal não foi tão difícil assim.

Descobri também como começar. Primeiro, damos a face direita e logo depois a esquerda, pousando levemente a mão direita no ombro esquerdo da outra pessoa. Os lábios não tocam a face e o mais importante é o som do beijinho que completa o cumprimento. Parece que só em situações muito formais é que basta apenas um aperto de mão.

 

Foi uma experiência e tanto, com beijos à entrada e à saída.

Se meus pais me vissem ali, beijando toda aquela gente, iam mesmo pensar que eu já estava me tornando uma legítima brasileira.

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